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06 | jul | 2026

A Motirô BA vem a público manifestar seu mais veemente repúdio contra o Hospital Português de Salvador (Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro) pela grave negligência, omissão de socorro e violência institucional cometidas contra o ativista Ítalo Ribeiro da Costa. Ao mesmo tempo, prestamos nossa irrestrita solidariedade a Ítalo, cuja coragem em denunciar este caso joga luz sobre um problema gravíssimo de saúde pública.

Conforme exposto em Carta Aberta e reconhecido em duas instâncias pelo Tribunal de Justiça da Bahia (Processo nº 8034570-52.2023.8.05.0001), o Hospital Português coletou o sangue de Ítalo para sorologia de HIV durante uma internação em outubro de 2018. O resultado, que atestava a infecção, foi ocultado do paciente por seis meses.

Quando Ítalo buscou ativamente a instituição para obter suas respostas, deparou-se não com acolhimento médico, mas com uma sequência de mentiras e tentativas de encobrimento da falha por parte do laboratório e da administração do hospital.

É inadmissível que uma instituição de saúde desse porte atue com tamanho descaso com a vida humana. Ocultar um diagnóstico de HIV não é um mero “erro de comunicação” ou uma falha de sistema; é uma sentença que expõe o indivíduo a agravos irreversíveis à saúde. Durante os seis meses em que o hospital se calou, o corpo de Ítalo sofreu com a livre replicação viral, a queda abrupta de sua imunidade (CD4) e a exposição a danos neurológicos crônicos e lesões de alto grau (HSIL/HPV).

A vida de Ítalo só encontrou amparo diagnóstico graças à excelência e ao compromisso do Sistema Único de Saúde (SUS), através do CEDAP, que investigou e acolheu o paciente que a rede privada tentou descartar.

Causa-nos profunda indignação constatar que, mesmo condenado pela Justiça, o Hospital Português optou pela arrogância institucional. A instituição não emitiu um pedido de desculpas, não revisou publicamente seus protocolos e sequer demonstrou empatia pela dor física, psicológica e social que causou a Ítalo — que incluiu depressão grave, ideação suicida e a perda de seu emprego em decorrência do adoecimento físico causado pela falta de tratamento. Pagar uma indenização não apaga o fato de que a Portaria nº 29/2013 do Ministério da Saúde foi rasgada dentro das dependências deste hospital.

A Motirô BA endossa integralmente os pleitos de Ítalo Ribeiro e exige que os órgãos competentes saiam da inércia. Um caso dessa gravidade não pode ser encerrado apenas na esfera cível. Reivindicamos publicamente:

  1. Que o Conselho Regional de Medicina da Bahia (CREMEB) instaure procedimento ético-disciplinar para apurar a conduta dos profissionais envolvidos na omissão deste diagnóstico.
  2. Que o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e a Vigilância Sanitária investiguem os protocolos laboratoriais do Hospital Português. Quantos outros pacientes podem ter tido seus diagnósticos “esquecidos” ou perdidos no sistema?
  3. Que o Programa Estadual de IST/HIV/Aids da Bahia audite as notificações compulsórias provenientes desta instituição privada.

A Ítalo Ribeiro e ao seu projeto @Bixcoitand0, nosso abraço, nosso apoio e nossa força. A sua luta contra o silenciamento e o estigma é a nossa luta. Nenhuma pessoa vivendo com HIV/Aids deve ser invisibilizada, tratada com descaso ou descartada.

Não aceitaremos que o poder econômico de um hospital silencie a negligência que destrói vidas. Exigimos justiça, transparência e mudança imediata de protocolos institucionais.

Salvador/BA, 06 de julho de 2026.

Motirô BA

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