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24 | jul | 2026

A Merck (conhecida como MSD fora dos Estados Unidos e Canadá) anunciou uma estratégia abrangente e pioneira para fornecer acesso rápido, amplo e sustentável ao alimatravir (MK-8527) em países de baixa e média renda. O alimatravir é uma pílula oral inédita, de dose única mensal, atualmente em fase 3 de investigação para a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) contra o HIV-1.

Os primeiros passos desta estratégia foram divulgados durante os preparativos para a 26ª Conferência Internacional de AIDS, no Rio de Janeiro.

Destaques da Estratégia da Merck

Com o objetivo de evitar o hiato comum entre a aprovação de novos medicamentos e sua chegada aos países em desenvolvimento, a farmacêutica implementou uma abordagem multifacetada enquanto os testes de Fase 3 ainda estão em andamento — um marco inédito na prevenção do HIV. As principais ações incluem:

  • Licenciamento Voluntário Antecipado: A Merck assinou sete acordos de licenciamento voluntário não-exclusivos e isentos de royalties com fabricantes de genéricos (três na África Subsaariana e quatro na Índia). Esses acordos cobrem os setores público e privado e permitirão o fornecimento da versão genérica do alimatravir em 129 países de baixa e média renda, os quais concentram a grande maioria dos novos diagnósticos globais de HIV.
  • Foco na América Latina e Brasil: Reconhecendo a carga do HIV na América Latina, a Merck confirmou que está em discussões ativas com organizações regionais, citando especificamente a Fiocruz no Brasil, visando garantir a ampla e rápida disponibilidade do medicamento na região, caso venha a ser aprovado.
  • Investimento Precoce em Fabricação: Para evitar atrasos no acesso, a Merck está investindo antecipadamente em sua própria capacidade de fabricação. A empresa fornecerá o suprimento inicial até que as fabricantes de genéricos licenciadas concluam o desenvolvimento e obtenham as aprovações regulatórias locais.

O alimatravir inibe a transcriptase reversa do vírus por meio de múltiplos mecanismos. Se aprovado, representará um grande avanço por ser uma opção de PrEP mensal com previsão de iniciar a proteção já na primeira hora após a ingestão.

O Cenário da PrEP no Brasil: Por Que uma Pílula Mensal Importa?

A introdução de uma PrEP mensal pode ter um impacto profundo em países como o Brasil, onde a estratégia preventiva é distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2018.

De acordo com o Ministério da Saúde (dados recentes do Painel PrEP e relatórios epidemiológicos):

  • Crescimento do uso: Mais de 208 mil pessoas utilizaram a PrEP no Brasil no período recente de 12 meses, demonstrando a expansão da política pública de prevenção.
  • Perfil do usuário: Historicamente, cerca de 82% dos usuários no país são homens cisgêneros gays ou outros homens que fazem sexo com homens (HSH). A maioria possui entre 30 e 39 anos (41,7%) e cerca de 55% se declaram brancos ou amarelos. Isso evidencia que a PrEP ainda tem o desafio de alcançar em maior volume outras populações vulneráveis.
  • O desafio da adesão: Um dos maiores gargalos da atual PrEP diária no Brasil é a taxa de descontinuidade. Os dados apontam que cerca de 30% dos usuários acabam abandonando a profilaxia.

O estigma social e a dificuldade de manter a rotina diária de tomar um comprimido todos os dias são fatores que contribuem para essa taxa de abandono. É neste contexto que o alimatravir desponta como um divisor de águas: a conveniência de tomar apenas uma pílula por mês tem o potencial de aumentar drasticamente a adesão ao tratamento preventivo. Isso pode reduzir as taxas de descontinuidade e auxiliar o Brasil a atingir as metas da ONU de redução de novas infecções pelo HIV.

Fonte: As informações sobre a estratégia farmacêutica foram baseadas no anúncio oficial da Merck via Business Wire / StreetInsider, intitulado “Merck Announces Initial Access Plans for Alimatravir, an Investigational Once-Monthly Oral HIV Pre-Exposure Prophylaxis in Phase 3 Development”. Os números sobre o contexto brasileiro foram extraídos do Painel PrEP do Ministério da Saúde.

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