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13 | maio | 2026

A pesquisa divulgada em maio por Motirô BA, Instituto Matizes e Banco Mundial evidencia que a discriminação contra pessoas LGBTQIAPN+ não é apenas uma violação de direitos: ela também compromete o desenvolvimento econômico e social do país.

No dia 12 de maio, a Motirô BA lançou, em parceria com o Instituto Matizes e o Banco Mundial, os resultados de uma pesquisa que lança luz sobre um dos efeitos mais perversos da discriminação: o impacto econômico da LGBTfobia no Brasil. Os números são contundentes. Segundo o estudo, o país perde cerca de R$ 94,4 bilhões por ano em razão da exclusão e do preconceito que afastam pessoas LGBTQIAPN+ do mercado de trabalho.

Esse dado revela uma realidade que os movimentos sociais e as organizações da sociedade civil denunciam há décadas: a LGBTfobia produz desigualdades concretas, limita trajetórias profissionais, interrompe projetos de vida e empobrece o país como um todo. Quando pessoas LGBTQIAPN+ encontram barreiras para acessar empregos formais, progredir em suas carreiras ou mesmo permanecer em ambientes profissionais marcados por hostilidade e exclusão, o prejuízo não é apenas individual — ele se espalha por toda a economia.

A pesquisa aponta que o preconceito compromete a renda, a produtividade e a participação econômica de uma parcela significativa da população. Em outras palavras, a discriminação transforma talento em desperdício, capacidade em subutilização e diversidade em oportunidade perdida. O que poderia significar inovação, criatividade e fortalecimento das relações de trabalho acaba sendo convertido em exclusão, rotatividade, informalidade e desemprego.

Mais do que um número expressivo, os R$ 94,4 bilhões anuais ajudam a traduzir, em linguagem econômica, aquilo que já deveria ser inaceitável em qualquer perspectiva ética e democrática. Não se trata apenas de medir perdas financeiras, mas de reconhecer que a LGBTfobia opera como um mecanismo estrutural de exclusão, restringindo direitos, aprofundando vulnerabilidades e impedindo que o Brasil avance em direção a um modelo de desenvolvimento verdadeiramente inclusivo.

Esse cenário exige respostas urgentes. É necessário que governos, empresas, instituições e a sociedade em geral assumam a responsabilidade de enfrentar a discriminação de forma concreta. Isso inclui investir em políticas públicas de inclusão, fortalecer mecanismos de proteção contra violências e assédios, ampliar oportunidades de formação e empregabilidade e promover ambientes de trabalho seguros, plurais e respeitosos.

Para a Motirô BA, dar visibilidade a esses dados é também reafirmar um compromisso histórico com a defesa da dignidade, dos direitos e da cidadania da população LGBTQIAPN+. Produzir conhecimento, fortalecer redes e incidir sobre políticas públicas são caminhos indispensáveis para transformar a realidade. Combater a LGBTfobia é uma exigência de justiça social — e também uma condição para que o país deixe de perder vidas, talentos e bilhões todos os anos.

Os resultados da pesquisa reforçam aquilo que a experiência cotidiana já demonstra: não há desenvolvimento possível onde o preconceito continua organizando o acesso às oportunidades. Enfrentar a LGBTfobia no mundo do trabalho é, portanto, uma tarefa coletiva e inadiável.

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