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28 | maio | 2026

Reconhecimento em Brasília evidencia a força da articulação entre sociedade civil, pesquisa, gestão pública e movimentos sociais para enfrentar a determinação social da TB e da TB+HIV.

Nos dias 26 e 27 de maio, Brasília sediou o seminário “Caminhos para o Enfrentamento da Determinação Social na Resposta à Tuberculose”, encontro promovido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome para fortalecer estratégias de proteção social, cuidado integral e articulação intersetorial diante de uma das doenças mais marcadas pelas desigualdades sociais no país. O evento reuniu gestores, pesquisadores, profissionais de saúde e representantes da sociedade civil para debater caminhos concretos de enfrentamento da tuberculose com base na realidade das populações mais vulnerabilizadas.

Nesse cenário, o Projeto Akanni ganhou destaque pela sua capacidade de articulação intersetorial e pela força de reunir diferentes parceiros públicos e privados no campo da tuberculose e da coinfecção TB+HIV. O reconhecimento recebido no seminário reafirma a importância de iniciativas que não tratam a TB apenas como um problema biomédico, mas como uma questão social que exige respostas integradas, territorializadas e sustentadas pela participação comunitária.

Na Bahia, a Motirô BA vem fortalecendo essa agenda junto ao Movimento de População em Situação de Rua e em diálogo com instituições como Fiocruz Bahia e ISC UFBA. Essa construção coletiva tem sido fundamental para impulsionar ações de promoção da saúde, prevenção, cuidado e incidência política voltadas às populações em maior vulnerabilidade, especialmente onde a tuberculose encontra terreno fértil nas desigualdades de renda, moradia, acesso a serviços e estigma.

Tuberculose na Bahia e em Salvador: um desafio persistente

Os dados mais recentes disponíveis em boletins epidemiológicos e painéis públicos mostram que a tuberculose continua sendo um importante desafio de saúde pública na Bahia. No plano nacional, o Boletim Epidemiológico de Tuberculose de 2026 do Ministério da Saúde reforça que o Brasil segue com alta carga da doença, especialmente entre grupos socialmente vulnerabilizados, como pessoas em situação de rua, pessoas privadas de liberdade e pessoas vivendo com HIV. No contexto baiano, a persistência da transmissão e a concentração dos casos em territórios de maior vulnerabilidade evidenciam a necessidade de ampliar estratégias articuladas entre saúde, assistência social, moradia e direitos humanos.

Em Salvador, a situação exige atenção permanente. A capital concentra parte expressiva dos casos notificados no estado, refletindo o peso das desigualdades urbanas e a maior exposição de grupos que enfrentam barreiras históricas de acesso à renda, moradia adequada e cuidado em saúde. Para a resposta à TB ser efetiva, o enfrentamento precisa combinar diagnóstico oportuno, vínculo com a atenção primária, busca ativa, adesão ao tratamento e proteção social.

População em situação de rua: centralidade na resposta à determinação social da TB

Os números disponíveis em bases oficiais e observatórios mostram a urgência dessa agenda. Dados com base no Cadastro Único e sistematizações divulgadas em 2025 indicam que Salvador registrava cerca de 10.025 pessoas em situação de rua, figurando entre as capitais brasileiras com maior contingente nessa condição. Para a Bahia, os levantamentos apontavam mais de 16,6 mil pessoas em situação de rua. Embora esses números possam sofrer atualização ao longo de 2026, eles já revelam a dimensão do desafio e a necessidade de políticas públicas contínuas, integradas e territorializadas.

A relação entre tuberculose e situação de rua não é casual: ela expressa a face mais dura da determinação social da saúde. Sem moradia digna, alimentação regular, acesso facilitado aos serviços e proteção contra violências e estigmas, o risco de adoecimento, interrupção de tratamento e agravamento de quadros clínicos aumenta significativamente. Por isso, iniciativas como as construídas pela Motirô BA e pelo Projeto Akanni têm grande valor estratégico: elas ajudam a transformar o cuidado em uma ação compartilhada entre políticas públicas, instituições de pesquisa, organizações comunitárias e movimentos sociais.

O destaque do Projeto Akanni em Brasília é, portanto, mais do que um reconhecimento institucional: é a confirmação de que o enfrentamento da tuberculose passa pela capacidade de construir alianças, ouvir os territórios e colocar no centro as populações historicamente invisibilizadas. Na Bahia, seguir fortalecendo redes como a da Motirô BA, do Movimento de População em Situação de Rua, da Fiocruz Bahia e do ISC UFBA é um caminho essencial para ampliar direitos, reduzir vulnerabilidades e avançar rumo a uma resposta mais justa, humana e eficaz à TB e à TB+HIV.

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