A centralização dos serviços de saúde restringe o alcance das estratégias de prevenção e perpetua desigualdades históricas. O Encontro de Gestão da Rede SAE/CTA, realizado nesta segunda-feira (27/04), debateu a urgência de reverter essa lógica. Durante a mesa “Descentralizar para Prevenir: Implantação da PrEP na Atenção Primária no Estado da Bahia”, o diretor da Motirô BA, Javier Angonoa, reforçou que a profilaxia pré-exposição precisa abandonar os nichos especializados e habitar a rotina dos territórios.

Transferir a oferta da PrEP para a Atenção Primária à Saúde (APS) é um movimento crucial para mitigar o estigma. Quando a prevenção ao HIV se torna uma diretriz regular nas unidades básicas dos bairros, o usuário deixa de arcar com o custo logístico e emocional de acessar centros de testagem distantes. Essa integração normaliza o cuidado, inserindo a prevenção combinada no mesmo fluxo de atendimento que gerencia a saúde integral da comunidade.
Apesar da importância da expansão para a APS, a infraestrutura pública tradicional ainda apresenta atritos severos para minorias sexuais e de gênero. O medo da discriminação, o desrespeito ao nome social e o desconhecimento das especificidades de saúde da população LGBTQIAPN+ são barreiras que frequentemente afastam pessoas vulneráveis dos postos de saúde. Para superar essa falha no acesso, a implementação de espaços comunitários de cuidado ganha relevância estratégica.

Iniciativas ancoradas na própria comunidade operam com o capital de confiança que as instituições formais muitas vezes perderam. O projeto PrEParados exemplifica essa dinâmica ao construir vias de acesso direto nas periferias de Salvador, entregando letramento em saúde onde a máquina pública não alcança com a mesma fluidez. A descentralização da PrEP só atinge seu potencial máximo quando a rede governamental atua em sinergia com essas estruturas comunitárias, consolidando um modelo que previne agravos clínicos ao mesmo tempo em que garante dignidade e cidadania plena.
