Quando a equipe da Motirô BA iniciou a elaboração de um projeto voltado ao controle da tuberculose, com foco em populações em situação de vulnerabilidade e com ações estruturadas de advocacy para o aprimoramento dos serviços e das políticas públicas, a primeira decisão foi buscar o assessoramento de quem detém reconhecida expertise no tema. Nesse sentido, contamos com a contribuição da Dra. Joilda Nery, diretora do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA (ISC), uma das principais referências na área.

A partir dessas interlocuções, somadas ao diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde, foi elaborado o projeto Akanni — termo de origem iorubá que significa “O nosso encontro traz poder” — intitulado Advocacy, Promoção da Saúde e Prevenção da Tuberculose entre Pessoas em Situação de Rua em Salvador e Região Metropolitana. O projeto foi selecionado em edital público e passou a ser executado a partir de 2025, tendo como premissa fundamental a articulação entre uma organização da sociedade civil, a academia e a gestão pública em saúde, nos níveis municipal e estadual.

Durante sua execução, outras instâncias foram se somando à iniciativa, como a FIOCRUZ Bahia, ampliando seu alcance e potencial de impacto. O projeto passou a desenvolver propostas que visam não apenas a execução de ações pontuais, mas também a sustentabilidade das intervenções e a incidência qualificada nas políticas públicas.
Dentre as principais estratégias adotadas, destacam-se:
- A participação de voluntários(as) qualificados(as) do meio universitário, que, por um lado, contribuíram para o aprimoramento técnico das ações e, por outro, levaram a experiência do trabalho de campo para o ambiente acadêmico;
- A articulação entre diferentes instâncias para a realização de atividades conjuntas e integradas, promovendo a otimização de recursos e maior efetividade das intervenções;
- A construção de propostas consistentes, baseadas em evidências científicas e em experiências práticas, voltadas ao aprimoramento das políticas públicas;
- A adoção de uma perspectiva de longo prazo, que ultrapassa a temporalidade restrita dos projetos.
Dessa forma, essa experiência passa a ser incorporada como estratégia institucional da Motirô BA, com a perspectiva de que todos os projetos desenvolvidos contem com a participação ativa da academia. Acreditamos firmemente que respostas efetivas aos agravos socialmente determinados só serão possíveis por meio da articulação entre essas três instâncias fundamentais: sociedade civil, academia e gestão pública.
Por: Javier Angonoa, Diretor Geral da Motirô BA
